O Bitcoin (BTC) chegou a subir 9,4% nesta sexta-feira (21) e foi negociado a cerca de US$ 77,5 mil (aproximadamente R$ 400,7 mil ao câmbio de R$ 5,17) no fim do pregão em Nova York. Na semana, o ativo acumula ganhos de cerca de 23% – o maior salto em sete dias desde março de 2023 – e mira o rompimento da marca de US$ 80 mil (R$ 413,6 mil), patamar não testado desde maio.
Recompra de títulos do Tesouro dos EUA destrava o rali
O entusiasmo voltou ao mercado depois que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou na quarta-feira (19) que o departamento ao menos dobraria o volume das recompras de títulos de longo prazo. A medida provocou uma disparada nos preços dos Treasuries e forçou investidores a zerar bilhões em posições vendidas em ativos de risco.
No mesmo dia, o presidente Donald Trump se reuniu com executivos de empresas como Coinbase Global e Payward, reforçando o sinal de que o governo segue comprometido com o setor. Trump também pressionou o Senado a votar o Clarity Act – projeto de lei que define a estrutura regulatória do mercado de criptomoedas nos EUA e que segue travado por divergências sobre disposições éticas, sem votação antes do recesso de agosto. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil ao cobrir a proximidade do Bitcoin com US$ 80 mil e os efeitos dos fluxos de ETFs e dos juros, o nível segue como zona de decisão técnica para a continuidade da alta.

Cerca de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,9 bilhões) em apostas alavancadas contra o Bitcoin e US$ 4,5 bilhões (R$ 23,3 bilhões) em todo o mercado cripto foram liquidados nos últimos três dias, segundo dados da Coinglass. O interesse vendido no ETF IBIT, da BlackRock – o maior do mundo, com cerca de US$ 55 bilhões (R$ 284,4 bilhões) sob gestão -, havia subido para cerca de 3% do total de cotas em circulação, segundo a S3, alimentando o movimento de fechamento forçado de posições.
O verdadeiro gatilho foi o Tesouro dos EUA dobrar as recompras de títulos de longo prazo, o que derrubou os rendimentos de longo prazo e ampliou o apetite por risco de forma generalizada. Nada mudou na tese de longo prazo do Bitcoin, mas nada mudou na volatilidade também.
– Rachael Lucas, analista da BTC Markets.
O que os dados revelam
- ETFs À VISTA – ‘Maior captação desde janeiro’: Os 13 fundos de Bitcoin à vista nos EUA já somam mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,17 bilhões) em entradas na semana.
- BALEIAS – ‘Acumulação retomada’: Grandes detentores adicionaram cerca de US$ 2,75 bilhões (R$ 14,2 bilhões) em tokens ao longo de 60 dias, segundo a CryptoQuant.
- AÇÕES CRIPTO – ‘Rali por tabela’: Coinbase subiu 8,2%, a Strategy avançou 6% e a Circle Internet Group teve alta de 5,2%.
- PROJEÇÃO – ‘Risco de subestimação’: Geoffrey Kendrick, do Standard Chartered, afirmou que sua meta de US$ 100 mil (R$ 517 mil) para o fim do ano pode estar baixa demais pela primeira vez neste ciclo.
Ouro dá o sinal, Bitcoin segue a corrente
Nem todos os analistas leem a alta do Bitcoin como um sinal macro puro. O ouro atingiu seu nível mais alto desde maio, em meio a temores de que a intervenção no mercado de títulos pressione o dólar – e, segundo Adam Morgan McCarthy, pesquisador-chefe da LO:TECH, é o metal, não a criptomoeda, que carrega o verdadeiro sinal de proteção cambial e inflacionária desta semana, já que a disparada do Bitcoin foi turbinada por liquidações forçadas.

Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, recomendou em publicação no LinkedIn reduzir exposição a títulos e manter de 10% a 15% da carteira em ouro e uma fatia menor em Bitcoin como forma de diversificação. Para o investidor brasileiro, o movimento reforça o argumento da diversificação internacional, mas a ressalva de McCarthy vale como alerta: parte do rali ainda depende de mecânica de derivativos, não de fluxo estrutural de longo prazo. O Bitcoin segue bem abaixo do pico de mais de US$ 126 mil (R$ 651,4 mil), atingido em outubro passado, e da mínima de US$ 58.642 (R$ 303,2 mil) registrada no fim de junho.
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