O Bitcoin era negociado a US$ 77.354 (aproximadamente R$ 448.653 ao câmbio de R$ 5,80), alta de 1,74%, no momento em que dados de derivativos apontavam para a liquidação de mais de US$ 250 milhões (perto de R$ 1,45 bilhão) em posições compradas em junho. O movimento acompanha uma queda mais ampla no volume de posições em aberto, ou Open Interest, do BTC nas exchanges, segundo dados compartilhados pela CryptoQuant.
Open Interest cai mais rápido que o preço
De acordo com a CryptoQuant, o Open Interest total de BTC recuou de US$ 26,0 bilhões (R$ 150,8 bilhões) para US$ 20,89 bilhões (R$ 121,16 bilhões) ao longo de junho, uma queda de 19,5%. O dado chama atenção porque superou a própria correção de preço: o BTC caiu de cerca de US$ 71.200 (R$ 412.960) no início do mês para US$ 63.234 (R$ 366.757) em 21 de junho, um recuo de 11,4%.

Essa diferença entre a queda de preço e a queda ainda maior no Open Interest aponta para um reajuste de alavancagem: a exposição em futuros foi reduzida de forma mais agressiva do que a queda no preço do BTC. Na primeira semana de junho, quando o BTC tocou mínima local de US$ 60.900 (R$ 353.220) em 6 de junho, o Open Interest já havia caído de US$ 26,0 bilhões para cerca de US$ 22,4 bilhões (R$ 129,92 bilhões), padrão consistente com liquidações e redução de posições, em vez de acúmulo de novas posições alavancadas.
Recuperação parcial não trouxe a alavancagem de volta
O BTC voltou a subir para perto de US$ 66.300 (R$ 384.540) em 15 de junho, com o Open Interest se recuperando para US$ 23,5 bilhões (R$ 136,3 bilhões), ainda bem abaixo do pico do início do mês. Mesmo com o BTC avançando quase 9% em relação à mínima de 6 de junho, o crescimento em futuros foi proporcionalmente mais modesto, segundo a análise da CryptoQuant.
Segundo um analista citado pela publicação original, os dados até aquele momento mostravam que o excesso de alavancagem havia sido reduzido. O analista também avaliou que níveis mais baixos de Open Interest não garantem recuperação imediata, mas podem indicar uma estrutura de mercado mais saudável do que um mercado de derivativos altamente saturado. A relação mais recente entre compras e vendas, ou taker ratio, em 0,95, aponta para posicionamento equilibrado e ausência de tendência clara de alavancagem.
- OI TOTAL – De pico a vale: o Open Interest caiu de US$ 26,0 bilhões para US$ 20,89 bilhões (R$ 121,16 bilhões) em junho, queda de 19,5%.
- PREÇO VS. ALAVANCAGEM: o BTC recuou 11,4% no período, ritmo mais lento que a contração dos futuros.
- TAKER RATIO – Sem viés claro: a relação de 0,95 entre compras e vendas indica mercado equilibrado.
- PRÓXIMO GATILHO: traders monitoram se o BTC sobe sem o Open Interest voltar a crescer rapidamente, sinal de demanda à vista predominando sobre especulação.
O que isso significa para o investidor no Brasil
Para quem acompanha ou negocia contratos futuros referenciados em BTC, os dados destacam a redução da exposição em futuros observada em junho. A análise citada pela CryptoQuant associa níveis mais baixos de Open Interest a uma estrutura de mercado potencialmente mais saudável do que a de um mercado de derivativos altamente saturado, sem que isso represente garantia de recuperação imediata.
O ponto central para os traders é observar a relação entre preço e Open Interest. Caso o Bitcoin continue avançando sem forte crescimento dos futuros, a leitura acompanhada pelo mercado é de maior participação da demanda à vista; já uma alta rápida na exposição aos futuros pode indicar renovada participação especulativa.
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