Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos somaram sete sessões consecutivas de captações líquidas entre 14 e 22 de julho, totalizando cerca de US$ 981,2 milhões, segundo dados da Santiment Intelligence. O patrimônio líquido do setor subiu para US$ 80,9 bilhões, ante US$ 74,37 bilhões no início do mês, enquanto o Bitcoin atingiu US$ 66.300 durante a sequência e era negociado perto de US$ 65.500.
A sequência de sete dias e o domínio da IBIT
A reconstrução sessão a sessão mostra que a iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, liderou a maior parte do fluxo. Nos quatro dias em que há detalhamento por fundo, a IBIT contribuiu com US$ 139 milhões, US$ 81 milhões, US$ 33 milhões e US$ 137 milhões, dominando três das quatro sessões.

O ritmo, porém, perdeu força: de US$ 227 milhões na segunda-feira para US$ 203,1 milhões na terça e US$ 68,99 milhões na quarta – uma queda de dois terços em 48 horas. A sessão de 13 de julho, que antecedeu a sequência, havia registrado saída líquida de US$ 424,7 milhões, o maior resgate em três meses, o que dá dimensão ao tamanho da reversão.
- PATRIMÔNIO TOTAL – De US$ 74,37 bi para US$ 80,9 bi: o avanço de cerca de US$ 6,5 bilhões reflete tanto novos aportes quanto a valorização do Bitcoin.
- CAPTAÇÃO ACUMULADA DESDE O LANÇAMENTO – US$ 51,8 bilhões: número que consolida o histórico dos produtos desde sua criação.
- DÉFICIT DO ANO – US$ 4,84 bilhões: mesmo após sete sessões positivas, o saldo de 2026 segue negativo; a sequência reduziu o déficit anual em cerca de 10%.
- IBIT EM UM MÊS – Saída de US$ 1,83 bilhão: apesar da liderança na sequência recente, o fundo ainda carrega perda líquida expressiva no acumulado mensal.
Preço em alta, mas recuperação ainda incompleta
A separação entre valorização de preço e dinheiro novo é o ponto central para quem acompanha esses dados. Dos aproximadamente US$ 6,5 bilhões de aumento no patrimônio total, cerca de US$ 5 bilhões vieram da alta do Bitcoin, e não de novas cotas emitidas, segundo o cálculo apresentado pela fonte primária.
O Bitcoin avançou de US$ 57.750 em 1º de julho para US$ 66.300 no pico da sequência. Ao mesmo tempo, os fluxos recentes ainda não eliminaram o saldo negativo acumulado pelos ETFs à vista de Bitcoin em 2026, estimado em US$ 4,84 bilhões.

Em publicação citada pelo Benzinga, a Santiment Intelligence avaliou que a sequência de sessões positivas sugere uma recuperação gradual da confiança após as saídas registradas em maio e junho. A empresa também indicou que o comportamento dos ETFs sustenta a possibilidade de um avanço em direção a US$ 70 mil, mas alertou que uma alta súbita nas entradas de um único dia poderia sinalizar excesso de otimismo no curto prazo.
O que os fluxos mostram
Entre o início de maio e o fim de junho, os ETFs à vista de Bitcoin dos Estados Unidos perderam mais de US$ 8,2 bilhões em ativos líquidos. O setor também atravessou uma sequência de dez dias de saídas até 1º de julho, com retirada de US$ 2,73 bilhões. A reversão posterior ocorreu sem fechamento de produtos, saída de emissores ou falhas operacionais, segundo a fonte primária.
O quadro atual combina recuperação dos ativos, sete sessões positivas e desaceleração no volume diário das entradas. Por isso, os dados apontam para o fim de uma fase de vendas persistentes, mas o déficit anual e a redução do ritmo das captações mantêm a recuperação incompleta.
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