O volume de Bitcoin mantido em carteiras de autocustódia recuou pela primeira vez em cerca de 15 anos, e o motivo não foi um hack nem uma onda de vendas. Segundo a Bloomberg, o iShares Bitcoin Trust (IBIT), ETF à vista de Bitcoin da BlackRock, já absorveu mais de US$ 3 bilhões em depósitos diretos de Bitcoin por parte de grandes detentores até o fim de 2025.
Como funciona a criação em espécie
O mecanismo se chama criação em espécie (in-kind creation): em vez de vender Bitcoin por dólares e depois recomprar cotas do ETF, o que geraria um evento tributável, o participante autorizado entrega os próprios bitcoins ao custodiante do fundo e recebe cotas recém-emitidas do IBIT em troca. A exposição econômica permanece a mesma; o que muda é o invólucro jurídico, que sai de uma carteira pessoal para uma estrutura de fundo regulada.

Para uma baleia com dezenas de milhares de bitcoins acumulados ao longo da última década, essa troca reduz o atrito de converter a posição para um ETF. O apelo, porém, vai além do aspecto tributário.
- PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO: cotas de ETF podem simplificar heranças que envolvem hardware wallets e seed phrases.
- INTEGRAÇÃO COM CORRETORAS: as cotas podem ficar ao lado de ações e títulos em uma única visão de portfólio.
- COLATERAL PARA CRÉDITO: cotas do IBIT podem servir de garantia em empréstimos por canais financeiros tradicionais, ampliando a liquidez em relação ao Bitcoin autocustodiado para a maior parte dos bancos.
- COMPLIANCE E RELATÓRIOS: recursos de reporte e compliance ligados a plataformas de gestão de patrimônio oferecem vantagens práticas para um grupo específico de investidores muito ricos.
Autocustódia ainda domina, mas a linha de tendência mudou
Apesar do movimento, a autocustódia continua sendo dominante. Um relatório da River Financial de agosto de 2026 mostra que indivíduos ainda mantêm cerca de 13,83 milhões de BTC em carteiras não custodiais – aproximadamente 65,9% da oferta total, com valor superior a US$ 800 bilhões. As reservas em ETFs e tesourarias corporativas seguem sendo uma fração desse total.
A segurança também pesa na balança. Falhas em hardware wallets registradas em agosto de 2026 resultaram em perdas estimadas entre US$ 116 milhões e US$ 130 milhões, reacendendo o debate sobre os riscos práticos de guardar as próprias chaves, sobretudo para pessoas cuja exposição ao Bitcoin representa uma parcela relevante de seu patrimônio.

O que isso significa para o mercado
A migração da autocustódia para estruturas de ETF transfere Bitcoin de endereços on-chain menos transparentes para fundos regulados e auditados. Isso torna o mercado mais legível para investidores institucionais e reguladores.
A possibilidade de trocar Bitcoin por cotas sem a venda prévia também cria um incentivo para grandes detentores que consideram essa mudança. Além da eficiência tributária, os recursos de reporte, compliance, planejamento sucessório e integração com canais financeiros tradicionais ajudam a explicar por que esses produtos podem oferecer utilidade adicional a uma parcela específica de investidores.
O post IBIT atrai mais de US$ 3 bilhões em Bitcoin de grandes detentores apareceu primeiro em CriptoFacil.



Buscando a próxima moeda 100x?