O Bitcoin caiu menos de 1% e passou a ser negociado pouco acima de US$ 83.100 (aproximadamente R$ 457.050 ao câmbio de R$ 5,50) na manhã de terça-feira no horário asiático, testando o piso da faixa de consolidação da semana anterior. O movimento acompanha a alta dos rendimentos dos Treasuries americanos e uma nova disparada do petróleo, dois fatores que vêm pressionando ativos de risco globalmente.
Bitcoin recua enquanto Zcash lidera perdas no mercado cripto
Entre os grandes tokens, o destaque negativo ficou com o Zcash (ZEC), que caiu 12% para cerca de US$ 1.380 (aproximadamente R$ 7.590), a maior perda do dia segundo dados do CoinDesk. SOL e HYPE recuaram entre 3% e 4%, enquanto DOGE caiu 3%, BNB perdeu 2% e XRP cedeu quase 2%. Ether e TRX ficaram estáveis no período.

Nem tudo foi queda: GRT, token do The Graph, subiu 18%, e IMX, da Immutable, avançou quase 10%, segundo levantamento da FxPro. Já UNI e BCH caíram cerca de 10% cada, e DASH perdeu 7%. O valor total do mercado cripto ficou perto de US$ 2,86 trilhões, enquanto um índice de sentimento amplamente acompanhado marcou 74 de 100 na segunda-feira, próximo – mas ainda fora – da zona de ganância extrema.
Pesquisas complementares indicam que o Bitcoin teria subido cerca de 37% desde as mínimas de meados de agosto até 23 de setembro, com máxima próxima de US$ 86.979 registrada em 21 de setembro, período em que ETFs de Bitcoin teriam somado entradas líquidas de aproximadamente US$ 690 milhões só naquele dia – dados que não constam na cobertura original do CoinDesk e devem ser tratados como contexto adicional, não confirmação direta. Como analisado anteriormente no CriptoFácil ao cobrir a relação entre Treasuries e o preço do Bitcoin, e ao acompanhar os fluxos institucionais por trás da volatilidade do Zcash, esse tipo de correlação entre juros longos e apetite por cripto tem se repetido ao longo do trimestre.
Rendimentos e petróleo aumentam a pressão sobre o Bitcoin
O rendimento do Treasury de 10 anos subiu um ponto-base para 5,25%, após atingir na segunda-feira o maior nível desde 2007. Um retorno garantido mais alto em títulos públicos eleva o custo de oportunidade de manter ativos que não pagam renda, caso do Bitcoin.
O petróleo Brent avançou mais de 1%, para quase US$ 107 por barril, na segunda alta consecutiva, à medida que perdia força a expectativa de um avanço diplomático imediato com o Irã. Petróleo mais caro alimenta preocupações com inflação e reforça apostas em nova alta de juros pelo Federal Reserve – pressão que, como mostrado anteriormente no CriptoFácil ao tratar do ambiente regulatório e macro em torno do Bitcoin, tende a se refletir rapidamente no apetite por ativos de risco.
O MSCI All Country World Index caiu ao menor nível desde 18 de setembro, e os futuros do Nasdaq 100 recuaram 0,3% após a venda de ações de tecnologia em Wall Street na segunda-feira. O próximo dado relevante chega na quarta-feira, quando o Departamento de Comércio dos EUA publica o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) de agosto, indicador que o Federal Reserve acompanha mais de perto. Uma leitura acima do esperado tende a reforçar apostas em novas altas de juros, pressionando ainda mais os rendimentos e o Bitcoin.
Leitura do mercado
Segundo avaliação de Alex Kuptsikevich, chief market analyst da FxPro, o Bitcoin está testando o limite inferior da faixa de consolidação da semana passada, e um retorno da região de US$ 82 mil – onde o ativo formou picos em maio e no início de setembro – seria esperado nas condições atuais. Ele pondera que uma queda sustentada abaixo de US$ 80 mil sinalizaria que o mercado não está pronto para subir tão cedo, enquanto uma retomada do momentum altista poderia levar o preço bem acima de US$ 90 mil.
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