ETFs spot de Bitcoin negociados nos Estados Unidos registraram saída de US$ 450,4 milhões (aproximadamente R$ 2,39 bilhões ao câmbio de R$ 5,30) na terça-feira, a maior retirada em um único dia desde 24 de junho, segundo o rastreador de ETFs de Bitcoin da Decrypt. O movimento coincidiu com a derrota do Senado americano, que rejeitou por 49 a 50 votos a invocação de cloture sobre o Digital Asset Market Clarity Act, projeto que precisava de 60 dos 100 votos para seguir em tramitação.
ETFs de Bitcoin sofrem saída de US$ 450,4 milhões após votação no Senado
A Fidelity liderou o êxodo com seu fundo FBTC, que perdeu US$ 214,8 milhões (cerca de R$ 1,14 bilhão). A BlackRock IBIT registrou saída de US$ 161,7 milhões (aproximadamente R$ 857 milhões), enquanto a Grayscale GBTC cedeu US$ 44,1 milhões (cerca de R$ 233,7 milhões). ARK 21Shares e Bitwise tiveram retiradas menores, segundo os dados compilados pela Decrypt.
Os ETFs de Ethereum também sofreram, com saída de US$ 142,3 milhões (aproximadamente R$ 754,2 milhões) no mesmo dia. Os fundos de XRP, menores e mais recentes, ficaram estáveis após terem recebido US$ 11,3 milhões (cerca de R$ 59,9 milhões) no dia anterior. Somados, os três grupos de produtos perderam quase US$ 593 milhões (aproximadamente R$ 3,14 bilhões) em uma única sessão – a maior retração diária desde junho, quando os ETFs de Bitcoin tiveram o pior mês da história, conforme já registrado pelo CriptoFácil ao acompanhar os fluxos anteriores dos fundos.
Segundo a Decrypt, o gatilho não foi um hack nem uma quebra de mercado – foi, aparentemente, o Congresso.
O que estava em jogo com o CLARITY Act
O CLARITY Act dividiria a supervisão de criptoativos entre a Securities and Exchange Commission (SEC) e a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), criando o que a Decrypt descreve como a primeira estrutura regulatória abrangente para cripto nos Estados Unidos. Como detalhamos em análise anterior sobre o alcance regulatório do projeto, a proposta buscava legalizar a maior parte da negociação de criptoativos no país.
A senadora democrata Elizabeth Warren se opôs ao projeto no plenário, alertando que ele poderia provocar um “crypto-fueled economic crash”. A senadora republicana Cynthia Lummis, principal negociadora do texto, classificou a derrota como um provável fim de linha: “It’s over,” disse pouco antes da votação.
O impacto para o mercado institucional
Clareza regulatória é o que permite a fundos de pensão e bancos tratar o Bitcoin como um produto financeiro legal e normal, em vez de uma zona cinzenta jurídica. Sem essa clareza, o capital institucional tende a ficar de fora – e as saídas de terça-feira podem ser um sinal dessa hesitação se materializando em números reais, embora a Decrypt não descarte a decisão do Federal Reserve, esperada para a mesma semana, como fator igualmente relevante para o movimento.
Restavam cerca de 22 dias úteis no calendário do Senado antes que a campanha das eleições de meio de mandato dominasse a agenda do outono americano. Na ausência de uma retomada tardia do projeto, o processo de regulamentação conduzido por SEC e CFTC passa a ser o principal roteiro regulatório para cripto nos EUA no restante de 2026, segundo a Decrypt. A agência Reuters confirmou que o placar de 49 a 50 marca, por ora, o fim das chances de o projeto avançar no Senado em 2026, conforme reportado pela Reuters.
Como mostramos ao cobrir a força recente da demanda institucional por ETFs de Bitcoin, o contraste com a reação de terça-feira evidencia o quanto esse fluxo de capital permanece sensível a sinais políticos vindos de Washington.
- Leia também: O que o CLARITY Act mudaria nas regras de DeFi
- Leia também: Fluxos recentes de ETFs de Bitcoin e Ethereum
O post Saídas de ETFs cripto chegam a quase US$ 593 milhões apareceu primeiro em CriptoFacil.



Buscando a próxima moeda 100x?